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Colégio Allan Kardec

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Fachada histórica do Colégio Allan Kardec

O Colégio Allan Kardec é o endereço onde tudo começou: primeiro a casa de Eurípedes Barsanulfo, depois a escola que mudou a educação em Sacramento e, hoje, a sede do Grupo Espírita Esperança e Caridade e do memorial. Esta leitura vai do resumo às fotografias de época, na ordem dos acontecimentos.

Quem tem pressa encontra o essencial nas duas primeiras seções. Quem quiser a pesquisa documental, com as transcrições de O Reformador e as fontes primárias, encontra tudo em Fundação do Colégio Allan Kardec.

O essencial

Fundação: 31 de janeiro de 1907

Fundador: Eurípedes Barsanulfo

Significado: Primeiro colégio espírita do Brasil e marco da educação inovadora


Antes do Colégio: a formação do educador

A pedagogia que Eurípedes aplicaria a partir de 1907 não nasceu pronta. Ela vem da sua própria escolaridade em Sacramento, do rigor dos mestres que o formaram e dos cinco anos em que dirigiu o Liceu Sacramentano. A família e a infância têm temas próprios; aqui fica o caminho do aluno que se tornou professor.

Histórico da educação de Eurípedes

Década de 1880, século XIX

Casa onde a família de Eurípedes morou na Estação do Cipó, em fotografia antigaRetrato do professor João Derwil de Miranda, fundador do Colégio Miranda

O Regimento interno do Caraça, em que evidencia a extraordinária experiência pedagógica dos padres lazaristas, portugueses que dirigiam o conceituado educandário.

Alguns itens que norteavam a pedagogia do Colégio Caraça:

  • Os oficiais de uma casa de educação devem considerar-se revestidos dos caracteres de outros tantos pais de família... Sua religião deve ser pura, deverá ainda evitar o cheiro da hipocrisia e fanatismo; devem conduzir a mocidade com suavidade e amor, mesmo no exercício da correção e é, então, especialmente, quando devem estar prevenidos para não usarem de nomes injuriosos nem excederem a moderação.
  • Os castigos dos maiores crimes será a privação de recreação e separação dos colegas.
  • Convém conhecer o gênio e o caráter de cada aluno para com prudência tratar a todos, pois o que agrada ao melancólico e perturbado muitas vezes não agrada ao gênio alegre e vice-versa.
  • Os estudantes devem persuadir-se que não vêm só para aprender os estudos e ciência, mas também as virtudes ... Vale mais um homem de conhecimentos medianos, sendo virtuoso, do que grande sábio sem virtude.

Na época havia a intensificação dos cursos, de acordo com o esforço desenvolvido pelo aluno. Tratava-se de uma opção circunstancial, portanto, que de certo modo beneficiava extraordinariamente os alunos aplicados.

No Colégio Miranda, Eurípedes fora encaminhado à classe adiantada, correspondente ao ginásio. Tornara-se assistente dos professores, assumindo as funções de monitor, que desempenhou com entusiasmo e dedicação e onde iniciou atividades pedagógicas, que o levariam a posição de invulgar destaque no magistério sacramentano.

Eurípedes era ótimo colega, transmitia aos condiscípulos lições de Língua Portuguesa, Francês e Matemática, disciplinas que manejava com singular discernimento e entusiasmo. Em casa, Eurípedes tomara a si a tarefa de cuidar da educação dos irmãos.

A distinção de Eurípedes levava os mestres a colocá-lo em visível preferência. Nas festas cívicas jamais confiaram a outro aluno a honra de conduzir o Pavilhão Nacional e em todas as solenidades sempre lhe confiaram a incumbência de orador oficial do educandário.

Desse modo, o Colégio Miranda deu a Eurípedes excelente bagagem intelectual. Aí aprendeu o Francês - idioma que manejava com fluência em colóquios e pesquisas; o Latim, apesar dessas matérias não estarem incluídas no currículo do educandário; a Língua Portuguesas, matéria em que se tornou, posteriormente, profícuo mestre, com processos didáticos próprios; Ciências Naturais, cujos conhecimentos levaram-no a importante planejamento pedagógico, com atividades prática, junto a elementos específicos, (tais como, dissecção de animais e estudo das plantas), que fundamentavam seus processos didáticos, pouco mais tarde.

Eurípedes esteve entregue à orientação sábia do Prof. Miranda até fins de 1901 (provavelmente), quando se dera o encerramento do ano letivo. Nessa ocasião, o diretor do Colégio convocou o Sr. Mogico a comparecer ao educandário. Fora informado de que deveria providenciar um Colégio para o filho, onde pudesse realizar um curso superior pois já se achava preparado.

Ao enfatizar as qualidades excepcionais de Eurípedes como aluno brilhante, o Prof. Miranda acentua: "Nada mais temos para ensinar a Eurípedes. Ele já aprendeu tudo o que nosso colégio pode oferecer.

No princípio do ano de 1902 o Pai de Eurípedes resolveu levá-lo para o Rio de Janeiro, com o duplo objetivo de encaminhá-lo no prosseguimento dos estudos e empenhar-se com amigos na obtenção de um emprego para Eurípedes. Conseguiram matricula no Curso Preparatório para a Escola de Medicina da Marinha. Após vinte dias de permanência no Rio de Janeiro, voltaram a Sacramento para os preparativos que se faziam necessários. Belos sonhos coroavam-lhe os nobres propósitos de aprendizado maior, tendo como objetivo maior curar a mãe.

A mãe auxiliava no que podia, costurando e organizando as roupas do filho. Às vésperas da saída do jovem, quando ela lhe arrumava a mala modesta, foi acometida por uma daquelas crises, que tanto preocupavam a família e , de modo particular, a Eurípedes. Sentira ele de pronto o motivo do sofrimento da mãe querida. Era a tristeza da separação. Quando Meca voltou às faculdades normais, encontrou a mala do filho desfeita. Eurípedes nunca mais tocara no assunto...

A trajetória do Professor Eurípedes

Liceu Sacramentano

A 31 de janeiro de 1902 fundava-se o Liceu Sacramentano. Eurípedes fora o abalizado construtor da iniciativa. Teve ele o cuidado de cercar-se de competente equipe de coadjutores, convidando o que havia de mais capacitado, na época, na cidade, para compor o quadro de sócios da nova entidade educacional.

Foram seus companheiros de magistério e de responsabilidade administrativas, os seguintes professores: Dr. João Gomes Vieira de Mello, José Martins Borges, Inácio Martins de Mello, Teófilo Vieira, Pe. Augusto da Rocha Maia, às vezes era substituído pelo Cônego Pedro Ludovico Santa Cruz.

O novo estabelecimento de ensino funcionou, no início, no antigo prédio do Cartório do 1° Ofício, de propriedade do Sr. Jovino Vieira Brigagão, na praça da Matriz, atual praça Getúlio Vargas. Pelas exigências da época, o prédio teve de ser adaptado, sendo este serviço financiado pelo Sr. José Monteiro da Silva Júnior (primeiro espírita de Sacramento), homem muito respeitado e querido por suas virtudes. Como quitação da dívida o Liceu daria 5 bolsas de estudos a alguns estudantes.

Eurípedes aos vinte e dois anos era um mestre abnegado, um inovador da arte de Educar e profundamente estimado pelos alunos e seus familiares. Fora um seguidor, talvez sem que desse por tal, de Platão, de Kant, de Spencer e de Pestalozzi. Os processos didáticos se inspiravam nas teorias desses luminares da Pedagogia.
Com Platão (fundador da Pedagogia) buscava o preparo físico dos educandos como um dos princípios ativos de saúde corporal, indispensável ao equilíbrio da mente.
Dava ele aos discípulos o exemplo de uma vida pura e de uma atividade incansável, em busca da perfeição, personificando os fundamentos de Kant, segundo os quais, a "Obra da educação é apontada como o desenvolvimento do indivíduo em toda perfeição de que é suscetível".

Na execução de todo o programa exigido pelo currículo, também o "Professor é um artista, acima de tudo, por que põe a Ciência em ação, movimentando princípios e leis naturais", conforme a conceituação pestalozziana. A arte adquire, assim, forma racional e compreensível. Transmitia elevado gosto pela Arte séria. Continuava a ver na expressão dramática um dos fatores sugestivos da moralização do meio, através dos processos psicológicos da imitação, que sempre levam o espectador à identificação com os personagens. A ciência é a teria e a Arte é a pratica.

De Spencer, Eurípedes tomara a aplicação consciente desta fórmula conceitual: "O fim da Educação é o preparo para a vida completa".

O modesto salário recebido por Eurípedes em seus serviços nas casas comerciais de pai, garantia-lhe a manutenção pessoal e permitia-lhe estender a recursos assistenciais, incluindo-se os relacionados com o magistério. Sempre reservara para os colaboradores toda renda auferida em taxas no registro financeiro do Liceu.

O jovem professor do Liceu Sacramentano, mesmo antes de conhecer as luzes do Espiritismo, já se agasalhava na fonte sublime do sentimento, guiando-se por elevada compreensão inata dos problemas do Espírito, que o haveria de inspirar na jornada norteadora, sempre leal ao ministério de Amor, que Jesus lhe confiou.
Com motivações de Eurípedes, os alunos, por sua vez, criaram um serviço de assistência, que teve longa duração.

Tratava-se da Sociedade dos Amiguinhos dos Pobres, que se destinava a promover leilões semanais com prendas doadas, cuja renda aplicava-se aos socorros mais urgentes a necessitados, tais sejam: assistência com gêneros alimentícios de primeira necessidade, agasalhos, enterros de indigentes.

O Liceu Sacramentano crescia no conceito geral e não tardou para que a fama do trabalho honesto e consciencioso, que ali se desenvolvia, a favor da educação, transpusesse as fronteiras de inúmeras cidades do Brasil Central, que enviavam seus filhos para estudar em Sacramento.

Depois de algum tempo, O Liceu transferira-se para nova sede. Dessa feita, ocupou um prédio no mesmo quarteirão da sede primitiva, na Praça da Matriz.

Prédio onde funcionou o Colégio N.S. do Patrocínio, e, mais tarde, a terceira e última sede do Liceu Sacramentano, na…

Prédio onde funcionou o Colégio N.S. do Patrocínio, e, mais tarde, a terceira e última sede do Liceu Sacramentano, na Avenida Municipal.


História e Fundação

O Colégio Allan Kardec nasceu em um dos momentos mais dramáticos da missão de Eurípedes Barsanulfo. Em janeiro de 1907, após a decisão de incluir o ensino do Espiritismo no currículo do antigo Liceu Sacramentano, Eurípedes viu-se sozinho em uma sala quase vazia, com seus alunos retirados pelos pais e seus colegas professores tendo abandonado o projeto.

Foi neste momento de profunda tristeza que ele recebeu uma mensagem psicografada de Maria Santíssima, trazendo três instruções precisas:

  1. Mudar o nome para Colégio Allan Kardec
  2. Ensinar o Evangelho às quartas-feiras
  3. Instituir um curso de Astronomia

"Não feche as portas da escola. Apague da tabuleta a denominação Liceu Sacramentano – que é um resquício do orgulho humano. Em substituição, coloque o nome – Colégio Allan Kardec. Ensine o Evangelho de meu filho às quartas-feiras e institui um curso de Astronomia. Acobertarei o Colégio Allan Kardec sob o manto do meu Amor. Maria, serva do Senhor."

(NOVELINO, 1979)

Em questão de semanas, o que parecia um fracasso transformou-se em triunfo: mais de 200 alunos matricularam-se no novo colégio, número extraordinário para uma cidade pequena como Sacramento no início do século XX.

Em 1904, Eurípedes converte ao espiritismo. O setor educacional sofrera rude golpe. Os companheiros de magistério, no Liceu Sacramentano, abandonaram seus cargos. O mobiliário escolar fora retirado e o prédio, onde funcionava requerido por seus proprietários.

Eurípedes estava abatido, mas não desanimado. O testemunho reclamara-lhe determinação e pujança na fé nova. Ele passara anos felizes no Liceu, no desempenho consciente de sua querida carreira de professor. Os alunos por sua vez, não se conformavam à ideia de perder o mestre o amigo. A situação era desesperadora para a área educacional da cidade que, não contava com outro estabelecimento de ensino.

Eurípedes foi procurado por inúmeros pais, que lhe rogaram a continuidade das aulas.
Após um planejamento rápido, ficara assentado o aluguel de uma sala no antigo Colégio da Professora Ana Borges, fechado desde 1885. Ali, com mobiliário improvisado e sem conforto, Eurípedes prosseguiu no seu esforço magnífico, em prol da Educação.

No frontal da porta modesta, lia-se : Liceu Sacramentano. O currículo era o mesmo, mas com a debandada dos colegas, Eurípedes desdobrava-se para ministrar as aulas de todas as matérias programadas. E acrescentara, corajosamente, o ensino da Doutrina Espírita ao currículo, o que suscitara o descontentamento dos pais católicos.

A maioria levou a Eurípedes a ameaça de retirar os filhos do Liceu, caso mantivesse a decisão de lecionar Espiritismo.

_ "Que retirem os filhos, mas a finalidade salvadora do aprendizado espírita será mantida".

A resposta firme de Eurípedes não deixava margem a outras argumentações. Desse modo, grande número de alunos viram suas matrículas no Liceu canceladas por seus pais. Fato que atinge Eurípedes de maneira angustiante.

A inspiração

Maria, Serva do Senhor

O relato a seguir é o da primeira publicação do Colégio sobre o episódio, com os detalhes da sala vazia e da escrita da mensagem.

Um dia, na solidão da sala de aula, sentiu-se abandonado. Pusera-se a chorar, no silêncio de ardorosa prece.

Sentiu insinuante vontade de escrever , enquanto todo o ser se lhe banhava em magnetismo suave, de fluidez radiosa desconhecida. Um nome de elevado destaque das esferas superiores impusera-se-lhe aos canais intuitivos. Ele reage. Não pode ser, não merece receber o beneplácito direto da Entidade anunciada.

Deixa o papel, julgando-se vítima de um embuste. Eis que uma força superior toma-lhe do braço e, mecanicamente, transmite pequena mensagem, mais ou menos nestes termos:

"Não feche as portas da escola. Apague da tabuleta a denominação Liceu Sacramentano, que é um resquício do orgulho humano. Em substituição coloque o nome: Colégio Allan Kardec. Ensine o Evangelho de meu filho às quartas-feiras e institua um curso de Astronomia. Acobertarei o Colégio sob o manto do meu Amor".

Esta é a segunda transcrição da mesma mensagem nesta página. Ela difere da anterior em algumas palavras — "institua" e "institui", "o Colégio" e "o Colégio Allan Kardec" —, porque vêm de registros diferentes. As duas foram conservadas como estão nas fontes.

No final, firma o documento precioso: Maria, Serva do Senhor.

Eurípedes seguiu à risca as instruções espirituais de Maria Santíssima.

"Sabia que o momento era singular: implantar uma educação na base profunda do ser. Trabalhar com um raciocínio reflexivo onde a maiêutica maior era sem dúvida o amor. Amar para ser amado, dar para trocar.

E nesse afã de alegria e esperança vem Maria, Mãe Santíssima, a lhe dar o ânimo, abrir-lhe a esperança do trabalho que iniciava. Tudo tinha uma razão de ser, todo o trabalho merecia profunda seriedade. Não era apenas um Colégio a mais, era um marco a sinalizar almas, espíritos em evolução."

O nascimento do Colégio

As matérias, conteúdos, cursos, teatro

Nasce o Colégio Allan Kardec. O fato se dera, exatamente a 31 de Janeiro de 1907, sob a égide da sublime Mãe de Jesus. Tem início para Sacramento a maior campanha educacional, conhecida até então.

Antigos alunos do Liceu Sacramentano reintegram-se ao novo educandário e mais de duas centenas de outros estudantes são encaminhados ao colégio. Tal cifra era muito avantajada para a época, guardadas naturalmente as proporções de relatividade, tendo em vista a densidade demográfica local, bastante reduzida.

Funcionavam três cursos no Colégio Allan Kardec: elementar, médio e superior. As diretrizes oficiais mantinham horários específicos para alunos do sexo masculino e feminino, mas Eurípedes criou em Sacramento o sistema de classes mistas.

Fotografia antiga de alunos e professores diante do Colégio Allan Kardec, com a placa de 17 de janeiro de 1910

Uma coragem extraordinária

Dar o nome de Allan Kardec a uma instituição educacional em 1907 era ato de extraordinária coragem. Naquela época:

  • Minas Gerais era conhecida como "o estado mais católico do Brasil"
  • O Código Penal criminalizava práticas espíritas
  • Centros espíritas eram perseguidos e até atacados fisicamente
  • A Igreja Católica dominava a educação

Ainda assim, Eurípedes assumiu publicamente a identidade espírita da instituição, transformando o Colégio Allan Kardec no primeiro colégio espírita do Brasil.

A resistência não parou nas matrículas canceladas. Em 1913, Eurípedes sustentou um debate público com o padre Feliciano Iague, episódio reconstituído a partir dos jornais da época em Fundação do Colégio Allan Kardec. O panorama cronológico situa esses anos ao lado dos acontecimentos do Espiritismo no Brasil.


O Prédio e os Espaços

Alunos e professores reunidos diante do Colégio Allan Kardec em fotografia histórica

Início Humilde (1907-1910)

O colégio começou na própria residência de Eurípedes. Para acomodar os alunos, ele mandou derrubar paredes internas, formando um salão amplo e reduzindo seu espaço pessoal a apenas três cômodos:

  • O salão - para as aulas
  • A cozinha - que também servia como cela improvisada para obsidiados em tratamento
  • Uma saleta - uso pessoal mínimo

Curiosidade: Os alunos conviviam diariamente com pessoas em tratamento espiritual, atuando como "enfermeiros improvisados" e aprendendo na prática os princípios da caridade e do cuidado com o próximo.

Expansão em 1910

O sucesso do colégio exigiu ampliação. O Sr. Cosme Martins de Oliveira, pai de alunas e apoiador da obra, financiou reforma que demoliu os cômodos restantes e ampliou o salão de aulas. A inauguração ocorreu em 17 de agosto de 1910, com festivas comemorações e apresentações teatrais.

Grupo de alunos e professores junto à fachada do Colégio Allan Kardec

A estrutura física

Três etapas se sobrepõem nesta parte da história: a casa adaptada de 1907, o salão ampliado de 1910 e o prédio novo, planejado em 1917 e concluído depois da morte de Eurípedes. O trecho seguinte, do arquivo do Colégio, acompanha as três.

No início (1907), o Colégio Allan Kardec funcionava na própria residência de Eurípedes. Localizada na Rua Principal (exatamente onde hoje é o Colégio Allan Kardec e o Lar de Eurípedes). A casa, era muito arejada, com vastos cômodos, bem distribuídos, com três quartos, duas salas e cozinha. Foi adquirida pelo Sr. Mogico do Dr. João Gomes Vieira de Mello (proprietário e ocupante da casa)e mais tarde transfere a Eurípedes por reduzido valor.

O sistema adotado de classes mistas trouxe algum descontentamento aos pais e para resolver a situação, o Sr. Cosme Martins de Oliveira com os colaboradores Angelino Pereira e Frederico Peiró iniciaram a reforma, providenciando a derrubada das paredes formando um salão mais amplo. A inauguração deste novo salão dera-se a 17 de agosto de 1910.

As matrículas avolumavam-se de ano para ano, até que as salas de aula tornaram-se pequenas para o grande número de estudantes, que buscavam o educandário. Em 1917, reuniram-se amigos de Eurípedes, liderados pelos Srs. Manoel Corrêa (casado com Edirith Irany), José Pereira de Almeida, Lindolfo Fernandes, Angelino Pereira de Almeida e outros, com um objetivo maior, promoveriam o planejamento esquemático para a construção de um prédio destinado ao funcionamento do CAK e do Grupo Espírita Esperança e Caridade. O primeiro passo, seria a encomenda de um projeto a profissional especializado, em São Paulo - o que , aliás, foi feito. Em seguida, movimentar-se-ia grande campanha para a aquisição dos indispensáveis recursos financeiros a serem empenhados na obra. A comissão organizadora do importante empreendimento distribuiu listas a numerosos amigos da causa espírita, na região e em outros pontos do país, com a necessária autorização para o trabalho de recolhimento de doações.

Lista antiga de assinaturas para a ampliação da sede do Colégio Allan Kardec e do Grupo Espírita Esperança e Caridade

A tarefa da demolição da antiga sede do Colégio teve início, ao mesmo tempo, que se levantavam novas paredes e se construíam a pavimentação e a cobertura da parte iniciada. Essa providência permitia a continuidade das aulas.
A construção deste colégio começou em 1913 e só veio terminar 2 anos depois do seu desencarne.

"O projeto arquitetônico desta casa é diferente de toda a arquitetura da cidade, essa arquitetura Eurípedes teve uma visão de uma escola na cidade de Éfeso, no tempo do Cristo onde as pessoas cultas iam estudar, então esta construção tem a mesma estrutura onde Eurípedes trouxe a lembrança rascunhou para que fosse feito assim.
Algum tempo atrás , na reforma desta casa encontramos uma riqueza aqui dentro deste salão, em cima das janelas belíssimos arabescos grandes trabalhados a mão. Os mesmos arabescos que tem do lado de fora, mas como não tínhamos recurso para a restauração deixamos do mesmo jeito. Este salão era dividido para o curso primário, o médio e o superior. O curso primário era dado pela Dona Negrinha, uma senhora que trabalhou por muitos anos aqui. A educação física era dada debaixo das mangueiras." Palestra Alzira sobre o Colégio Allan Kardec em 27.03.2003

Elith, irmã e aluna de Eurípedes, evidencia ser ele "educador emérito, amigo de todas as horas, médium portador de impressionante potencial. Em plena aula, no Colégio Allan Kardec, desdobrava-se para atender a enfermos, que o chamavam pelo pensamento.

Quando voltava, expunha aos alunos os acontecimentos. No final do curso conseguira ganhar a confiança de Eurípedes, que lhe confiara as cadeiras de Álgebra e de História Natural para os alunos da 1ª classe.

Fachada atual do Colégio Allan Kardec, vista de pertoCartão antigo com fotografia da primeira sede do Colégio Allan Kardec e o texto "Fundado e mantido por Eurípedes Barsanulfo, prosperou e deu frutos benditos"

Estrutura Consolidada

Em 1920, o inspetor regional descreveu as instalações:

  • Magníficas salas de aula
  • Dois gabinetes
  • Amplo alpendre
  • Dois vastos recreios ajardinados e arborizados
  • Água própria em abundância
  • Instalações sanitárias completas

O Laboratório Natural

A propriedade contava com recursos valiosos para as aulas práticas ao vivo:

Árvores frutíferas:

Jardim ornamental:

Eurípedes construiu um belo jardim com canteiros circulares onde cultivava rosas, violetas, cravos, margaridas e amores-perfeitos. No centro, um tanque rústico completava o ambiente.

Este espaço natural funcionava como verdadeiro laboratório pedagógico, onde os alunos estudavam botânica, biologia e ciências naturais pela observação direta.

As mangueiras citadas acima continuam de pé, e o pátio que elas sombreiam tem tema próprio no guia, como tem o jasmineiro que floresce diante da fachada.


Pedagogia Revolucionária

Abolição dos Castigos Físicos

Enquanto a palmatória (instrumento de castigo) dominava as escolas brasileiras, Eurípedes inaugurou a "era do entendimento e do diálogo". Ele compreendia cada aluno como espírito imortal em evolução, digno de respeito e capaz de responder ao exemplo e à razão.

Educação Integral

O Colégio Allan Kardec foi pioneiro em oferecer formação que contemplava quatro dimensões do ser humano:

  1. Física - ginástica respiratória, educação física, higiene
  2. Intelectual - todas as disciplinas tradicionais
  3. Moral - formação do caráter, princípios éticos
  4. Espiritual - compreensão da natureza transcendente do ser

Classes Mistas

Inovação social ousada: meninos e meninas estudavam juntos, prática rara na época. Quando alguns pais questionaram, Cosme Martins de Oliveira declarou: "Minhas filhas continuam a estudar no seu colégio".

Os nomes que inspiraram esse método aparecem mais acima, no trecho sobre o Liceu Sacramentano: Platão, Kant, Spencer e Pestalozzi. A leitura documental mostra que o Colégio antecipou, no interior de Minas, princípios que a Escola Nova só difundiria no Brasil décadas depois — o levantamento está em Fundação do Colégio Allan Kardec.

Eurípedes tomara para si a incumbência da classe superior, lecionando as matérias do currículo com rara visão pedagógica. Era muito exigente na orientação dos aluno, embora ficasse comprovada sua psicologia da aprendizagem e avançada estruturação do planejamento consciente e adequado. Sumamente analítico exigia sempre o porque de tudo. Nunca deixava uma dúvida nos educandos, toda situação-problema era esmiuçada, examinada nos mínimos detalhes. A observação ao vivo das plantas era um dos pontos altos do processo didático.Os alunos estudavam com entusiasmo.

A nova linha pedagógica se tornava patente, sob muitos aspectos, em países europeus, como Suíça e França, através da Escola Ativa de Pestalozzi, proporcionava a Sacramento, pela visão extraordinária de Eurípedes, o enriquecimento do contingente didático- pedagógico. Numa época onde a palmatória era voz mais que ativa, no ambiente escolar, Eurípedes inaugurou a era do entendimento e o diálogo. O aluno passou a ser respeitado nos valores naturais de que era portador em potencial, pois o mestre conhecia-lhes as faculdades racionais, as percepções. Isso vinha estreitar o relacionamento professor/ aluno, criando entre eles laços de múltipla confiança.

As lições teóricas e práticas de astronomia eram ministradas aos discípulos em geral, em aulas coletivas.

As aulas de Evangelho eram consagradas nas quartas-feiras para todos os alunos e alguns visitantes. O início das aulas dava-se às 12 horas, prolongando até às 15 horas. Nos primeiros tempos era focalizado o estudo de um capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo, por aula.


O Currículo

Três Cursos Completos

Curso Elementar:

Leitura, aritmética, morfologia, história e geografia do Brasil

Curso Médio:

Aritmética e geometria, história universal, geografia geral, ciências naturais, gramática portuguesa

Curso Superior:

Português (sintaxe e literatura), francês, geometria, cosmografia, química

Disciplinas Especiais

Astronomia - Para todos os alunos, com aulas teóricas e observação direta do céu noturno usando um binóculo de campo ligado ao nome de Camille Flammarion

Evangelho às quartas-feiras - Estudo de O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos, aberto também à comunidade

Ginástica e Educação Física - Aulas diárias sob as árvores, com exercícios respiratórios

Artes - Teatro, música, artes visuais

📅 As quartas-feiras especiais: As aulas de Evangelho começavam às 12h30 e iam até 15h, atraindo não apenas os alunos mas "numerosos visitantes" de Sacramento e região. Estas aulas tornaram-se verdadeiros eventos espirituais da cidade.

O registro documental acrescenta o funcionamento em dois turnos — das 7h às 10h a seção feminina, das 10h às 15h a masculina, seguida de uma hora de trabalhos manuais — e a compra do binóculo de campo, em 1911, para as aulas de Astronomia. As aulas de Evangelho às quartas-feiras, abertas à cidade, estão descritas também no trecho do arquivo reproduzido acima. As atividades de hoje, com seus horários, estão em Horários e Visitação e em Evangelho.

Anúncio antigo de exames do Colégio Allan-Kardec, com a lista de professores, de 15 de janeiro de 1916

Práticas Inovadoras

Aulas ao Vivo

As aulas aconteciam no jardim, junto às plantas. Os alunos observavam diretamente a natureza, dissecavam animais para estudar sistemas funcionais, e aprendiam pela experiência, não apenas por livros.

Apostilas Personalizadas

Eurípedes preparava apostilas próprias sobre português, astronomia e espiritismo, adaptadas às necessidades dos alunos.

Torneio Evangélico

Nas aulas de quarta-feira, após a exposição, os alunos formulavam questões uns aos outros em um "torneio evangélico". Frequentemente, crianças do curso elementar venciam jovens dos cursos superiores, demonstrando que o conhecimento espiritual transcende a idade.

Eclipse Solar como Aula

Quando houve um eclipse total do sol, Eurípedes reuniu todos os alunos na rua, equipados com vidros escurecidos, para observar o fenômeno. Ao ver pessoas apavoradas gritando "é castigo de Deus!", os próprios alunos do primário responderam: "Deus não castiga ninguém! O que Ele nos vai dar hoje é um fenômeno maravilhoso!"

Eurípedes incentivava sempre, por diferentes modos, os alunos, objetivando o maior nível de aproveitamento , no seu colégio. Estimulou o bom teatro, através da promoção periódica de festivais artísticos, que ficaram na lembrança dos alunos participantes e do povo da época. Era contrário à instituição de prêmios.

Eurípedes como educador conhecia a importância da natureza como instrumento sublime para o espírito na aquisição de valores. Em suas aulas levava os alunos para a junto da natureza, estimulava-os ao respeito pelas coisas divinas, as plantas, animais, o rio Borá, a beleza do firmamento, as estrelas, enfim suas aulas ensinavam o mandamento maior.

Fotografia antiga de alunos e professores diante do Colégio Allan Kardec, em 1913

Os Professores

Dentre os colaboradores de Eurípedes, citam-se: Watersides Willon, Homilton Wilson, Wenceslau Rodrigues Cilan, Zenon Borges, Orcalino de Oliveira, Maria Gonçalves, que regiam classes nos cursos elementar e médio. Wateville Wilman passou a colaborar no curso elementar do Colégio.

Os retratos abaixo vêm do acervo do Colégio. Watersides Willon, irmão de Eurípedes e um dos nomes citados acima, assumiria a direção depois de 1918.

Retrato de Homilton Wilson, professor do Colégio Allan KardecRetrato de Elith Irany, professora do Colégio Allan KardecRetrato de Watersides Willon, professor do Colégio Allan KardecRetrato de Orcalino de Oliveira, professor do Colégio Allan KardecRetrato de Maria Gonçalves, professora do Colégio Allan Kardec

Resultados Extraordinários

Reconhecimento Oficial

Em 1920, o inspetor regional Alberto da Costa Mattos registrou:

"Assisti às lições dos professores e examinei os alunos nas diversas disciplinas [...] notando geral adiantamento. São muito bem ensaiados os cânticos escolares e dirigidos com especial cuidado os exercícios de ginástica."

Formação de Líderes

Do Colégio Allan Kardec saíram:

  • Jornalistas brilhantes
  • Professores dedicados
  • Tribunos do movimento espírita
  • Profissionais respeitados em diversas áreas

Durante o processo criminal contra Eurípedes por "exercício ilegal da medicina", foram seus próprios alunos que sustentaram brilhante defesa nos jornais de Uberaba, Franca e Ribeirão Preto.

Nota histórica: Em debates públicos na praça, ex-alunos do Colégio Allan Kardec - sem formação universitária - venciam discussões com bacharéis formados nos grandes centros, tamanha era a solidez de sua formação.

O alcance do Colégio não se mediu só em exames. Ele funcionava junto com a Farmácia Espírita Esperança e Caridade e com o Grupo Espírita Esperança e Caridade, formando uma rede de assistência à cidade — a documentação desse conjunto está em Fundação do Colégio Allan Kardec.


Continuidade da Obra

Após a desencarnação de Eurípedes em 1º de novembro de 1918, o colégio continuou funcionando sob direção de seu irmão Wattersides Willon e da equipe de professores formados nos próprios bancos da instituição.

Em 1975, as atividades educacionais foram transferidas para a Escola Eurípedes Barsanulfo, criada por Corina Novelino e Tomás Novelino. O prédio histórico do Colégio Allan Kardec consolidou-se como sede do Grupo Espírita Esperança e Caridade e memorial, preservando a memória e os princípios do educador.

O trecho do arquivo, a seguir, detalha os anos de direção do irmão de Eurípedes e o fechamento das portas.

De 1918 a 1925

Com o desencarne de Eurípedes Barsanulpho, ocorrido em Primeiro de novembro de 1918, assume a direção do estabelecimento seu irmão e colaborador Prof. Watercides Willon, coadjuvado por Homilton Wilson, Wenceslau Rodrigues Cilau, Zenon Borges, Corina Novelino, Celina França, Eusápia Novelino.

Watersides Willon - Diretor de 1919 a 1925.

Watersides Willon - Diretor de 1919 a 1925.

Assim, as atividades do Colégio Allan Kardec em nada se modificara, continuava a manter a mesma filosofia pedagógica imprimida por Eurípedes: continuaram os mesmos cursos, as mesmas atividades artísticas e mesma forma de realização dos exames finais.

Boletim mensal antigo do Colégio Allan-Kardec, de 1919, assinado pelo diretor

Em 1925, em razão das profundas reformas educacionais, promovidas pelo Governo Federal, o Colégio já não oferecia mais condições de atender aos dispositivos da própria reforma, tendo inclusive perdido considerável número de alunos, para o Grupo Escolar Afonso Pena Jr., inaugurado em 1921, com modernas instalações para a época e com o advento de uma escola particular, que, coincidentemente, viria a se chamar Liceu Sacramentano.

Além disso, o Prof. Watercides já não tinha condições físicas para dirigir o Colégio, vitima de insidiosa moléstia que o abalara física e mentalmente. Desta forma, já em 1925, as portas do Colégio se fecharam.

Fotografia antiga e desfocada de alunos em fila sob o corredor do Colégio Allan Kardec

O fechamento e a reabertura (1925-1936)

As portas ficaram fechadas por dez anos. O Colégio encerrou as atividades em 1925, nas circunstâncias descritas acima, e só voltou a funcionar em 1935. O hiato não interrompeu a obra: foi nesse período, entre 1927 e 1929, que se ergueu a herma de Eurípedes no jardim da instituição.

A reabertura veio em 1935, sob a direção de Homilton Wilson, irmão mais novo de Eurípedes, com o impulso de Manoel Soares, que assumira a presidência do Grupo Espírita Esperança e Caridade. Homilton tinha dezoito anos quando Eurípedes desencarnou e cresceu dentro das instituições criadas pelo irmão.

No ano seguinte veio o reconhecimento oficial: em 1936 a escola foi registrada na Secretaria de Educação e Cultura de Minas Gerais com o nome de Escola Allan Kardec, tendo o Grupo Espírita Esperança e Caridade como órgão mantenedor (NOVELINO, 1979). O registro confirmava o caráter filantrópico e gratuito, dava validade oficial aos certificados e inseria a escola no sistema educacional mineiro — dezoito anos depois de o fundador ter respondido a processo por exercício ilegal da medicina.

Da Escola Allan Kardec à rede estadual (1941-1971)

Homilton Wilson dirigiu a escola até 1941, acumulando a direção com a presidência do Grupo Espírita, e então passou a responsabilidade a Corina Novelino, que a conduziu até 1964. Nesse ano a escola passou ao âmbito estadual, com os nomes sucessivos de Escolas Combinadas de Sacramento e Escolas Reunidas de Sacramento (NOVELINO, 1979).

O encerramento veio em 1971, quando a Lei nº 5.692/71, que reformou as diretrizes da educação nacional, trouxe exigências que a instituição não tinha como atender. Fechava-se assim o ciclo aberto em 1907.

A Escola Eurípedes Barsanulfo, desde 1975

A lacuna durou pouco. Em 1973, Corina Novelino e seu primo Tomás Novelino, ambos formados nos princípios de Eurípedes, começaram a mobilizar a comunidade por uma nova escola; em 1975 inauguraram a Escola de Primeiro Grau Eurípedes Barsanulfo, perto da Vila Sinhazinha, onde o Grupo Espírita já mantinha trabalho assistencial. O nome era uma declaração de continuidade.

Corina guardava uma frase atribuída a Eurípedes: "Se precisar, feche a farmácia, mas jamais feche a escola". A escola segue em atividade, filantrópica, administrada pelo Lar de Eurípedes e ligada ao Grupo Espírita Esperança e Caridade; completou cinquenta anos em 2025.


Datas e números: o que cada fonte diz

Em três pontos as fontes não coincidem. Em vez de escolher uma versão e descartar a outra, as duas ficam registradas aqui, com a sua origem, para que a leitura não dependa de uma escolha nossa.

AssuntoO que diz o texto publicadoO que dizem os documentos e a pesquisa
Fundação31 de janeiro de 1907, data em que o Liceu Sacramentano passa a chamar-se Colégio Allan Kardec (NOVELINO, 1979)Inauguração oficial a 1º de abril de 1907, noticiada por O Reformador no mesmo ano
Alunos no inícioMais de duzentas matrículas poucas semanas depois da mudança de nome108 presentes na inauguração e 30 alunos matriculados, de ambos os sexos (O Reformador, 1907)
EncerramentoFuncionou até 1975, quando as atividades educacionais foram transferidas para a Escola Eurípedes BarsanulfoEncerrou em 1971, pela Lei nº 5.692/71; a Escola Eurípedes Barsanulfo foi inaugurada em 1975

As duas primeiras divergências se explicam bem: a data de janeiro marca o ato de fundação, e a de abril, a inauguração pública; os números de O Reformador são os do dia da inauguração, antes das matrículas que chegaram nas semanas seguintes. O encerramento também está esclarecido pela pesquisa: 1971 pela nova lei de diretrizes, com a Escola Eurípedes Barsanulfo aberta em 1975.


O prédio hoje

O prédio histórico não virou museu de porta fechada: continua em uso. Abriga o Grupo Espírita Esperança e Caridade, o Memorial Eurípedes Barsanulfo, a herma no jardim e, ao lado, o Lar de Eurípedes. As salas de aula, o corredor coberto e o pátio estão abertos à visita.

Quem quiser conhecer de perto encontra os dias, os horários e como se organizar em Horários e Visitação e na página de Visitas. O acervo exposto e a sala do memorial estão em Memorial.

Grupo de pessoas reunido ao redor da herma de Eurípedes Barsanulfo, em fotografia antiga

Fotos do Colégio Allan Kardec

Fotos de algumas dependências do CAK, atualmente

Sala com carteiras e cadeiras antigas em exposição, no Colégio Allan KardecCorredor coberto do Colégio Allan Kardec, com jardim ao fundoPátio interno do Colégio Allan Kardec, com corredor coberto e pérgola floridaSala de exposição com retrato antigo, cama e móveis de época, no Colégio Allan KardecCaminho com pérgola e bancos no jardim do Colégio Allan KardecCorredor coberto do Colégio Allan KardecPátio do Colégio Allan Kardec com pérgola florida diante da fachadaTronco de árvore com planta pendente no jardim do Colégio Allan KardecBiblioteca do Colégio Allan Kardec, com estantes de livrosFachada do Colégio Allan Kardec ao entardecerFachada do Colégio Allan Kardec, vista da ruaRetrato antigo emoldurado, exposto em sala do Colégio Allan KardecVista lateral de um prédio do Colégio Allan KardecPlaca comemorativa dos 100 anos do Grupo Espírita Esperança e Caridade, no Colégio Allan KardecSalão de eventos do Colégio Allan Kardec, com cadeiras enfileiradasCorredor coberto do Colégio Allan Kardec, com colunas vermelhasHerma de Eurípedes Barsanulfo no jardim do Colégio Allan KardecFachada do Colégio Allan Kardec, com detalhes brancos nas janelasFachada do Colégio Allan Kardec vista da esquinaCaminho com pérgola sob árvore no jardim do Colégio Allan KardecFachada lateral do Colégio Allan Kardec, com árvores na entrada

O Legado

O Colégio Allan Kardec não foi apenas uma escola, mas:

Um modelo pedagógico - que integrou ciência, filosofia e espiritualidade

Um exemplo de coragem - assumindo publicamente princípios espíritas em época de perseguição

Uma prova viva - de que educação de qualidade e formação moral podem caminhar juntas

Uma semente - que gerou dezenas de outras escolas espíritas no Brasil

"Dos primeiros espinhos, surgira esplendorosa flor, que Eurípedes cultivou com o carinho maior de sua alma - o Colégio Allan Kardec." - Corina Novelino


Fontes e leituras

  • NOVELINO, Corina. Eurípedes, O Homem e a Missão. Araras: IDE, 1979. Capítulo 12, sobre a mensagem de Maria Santíssima, a fundação, a estrutura curricular e a proteção espiritual.
  • O Reformador: notícia da inauguração (1907), do Colégio em funcionamento (1911), da Farmácia Espírita (1906) e o Termo de Visita do inspetor regional Alberto da Costa Mattos (1920).
  • Palestra de Alzira sobre o Colégio Allan Kardec, em 27 de março de 2003, de onde vem o relato sobre o projeto arquitetônico e os arabescos do salão.
  • Arquivo fotográfico do Colégio Allan Kardec, origem das fotografias de época e das imagens das dependências.
  • Pesquisa histórica em edição pelo Colégio, de onde vêm as datas do fechamento e da reabertura, o registro oficial de 1936, as direções seguintes e a criação da Escola Eurípedes Barsanulfo.
  • Pesquisa documental reunida em Fundação do Colégio Allan Kardec, com as transcrições completas e a bibliografia por extenso.

NOVELINO, Corina. Eurípedes, O Homem e a Missão. Araras: IDE, 1979. Capítulo 12 (O Colégio Allan Kardec), seções sobre a mensagem de Maria Santíssima, fundação do Colégio Allan Kardec, estrutura curricular e proteção espiritual.