Colégio Allan Kardec

Primeiro Colégio Espírita do Brasil, fundado por Eurípedes Barsanulfo em 1907, na cidade de Sacramento-MG

Histórico da educação de Eurípedes

Década de 1880, século XIX
Em 1885, a família de Eurípedes muda para a estação do Cipó
A pedido de Eurípedes, o pai encaminhara-o para a escola primária do Sr. Joaquim Vaz de Melo, conhecido por Tatinho, onde rapidamente aprendera a ler e a contar. Depois que aprendeu a ler nunca mais deixou a companhia luminosa dos livros.

Eurípedes projetou-se na escola do Tatinho pela sua aplicação e comportamento exemplar. Aproveitou com brilhantismo as lições recebidas, através do método intensivo aplicado na época nas escolas oficiais e particulares da Província.


Em 1885, a família de Eurípedes muda para a estação do Cipó e como lá não havia escola, Eurípedes prosseguia seus estudo com o pai, que nas horas vagas, transmitia-lhe lições de Aritmética e Língua portuguesa. Em 1889, a família retorna a Sacramento. Eurípedes estava com nove anos.


Nesse ano inaugura-se em Sacramento o "Colégio Miranda". Seu diretor, o professor João Derwil de Miranda, recebera primorosa formação no Caraça, o mais famoso educandário mineiro.

O Regimento interno do Caraça, em que evidencia a extraordinária experiência pedagógica dos padres lazaristas, portugueses que dirigiam o conceituado educandário.


Alguns itens que norteavam a pedagogia do Colégio Caraça:

  • Os oficiais de uma casa de educação devem considerar-se revestidos dos caracteres de outros tantos pais de família... Sua religião deve ser pura, deverá ainda evitar o cheiro da hipocrisia e fanatismo; devem conduzir a mocidade com suavidade e amor, mesmo no exercício da correção e é, então, especialmente, quando devem estar prevenidos para não usarem de nomes injuriosos nem excederem a moderação.

  • Os castigos dos maiores crimes será a privação de recreação e separação dos colegas.

  • Convém conhecer o gênio e o caráter de cada aluno para com prudência tratar a todos, pois o que agrada ao melancólico e perturbado muitas vezes não agrada ao gênio alegre e vice-versa.

  • Os estudantes devem persuadir-se que não vêm só para aprender os estudos e ciência, mas também as virtudes ... Vale mais um homem de conhecimentos medianos, sendo virtuoso, do que grande sábio sem virtude.


Na época havia a intensificação dos cursos, de acordo com o esforço desenvolvido pelo aluno. Tratava-se de uma opção circunstancial, portanto, que de certo modo beneficiava extraordinariamente os alunos aplicados.


No Colégio Miranda, Eurípedes fora encaminhado à classe adiantada, correspondente ao ginásio. Tornara-se assistente dos professores, assumindo as funções de monitor, que desempenhou com entusiasmo e dedicação e onde iniciou atividades pedagógicas, que o levariam a posição de invulgar destaque no magistério sacramentano.


Eurípedes era ótimo colega, transmitia aos condiscípulos lições de Língua Portuguesa, Francês e Matemática, disciplinas que manejava com singular discernimento e entusiasmo. Em casa, Eurípedes tomara a si a tarefa de cuidar da educação dos irmãos.


A distinção de Eurípedes levava os mestres a colocá-lo em visível preferência. Nas festas cívicas jamais confiaram a outro aluno a honra de conduzir o Pavilhão Nacional e em todas as solenidades sempre lhe confiaram a incumbência de orador oficial do educandário.


Desse modo, o Colégio Miranda deu a Eurípedes excelente bagagem intelectual. Aí aprendeu o Francês - idioma que manejava com fluência em colóquios e pesquisas; o Latim, apesar dessas matérias não estarem incluídas no currículo do educandário; a Língua Portuguesas, matéria em que se tornou, posteriormente, profícuo mestre, com processos didáticos próprios; Ciências Naturais, cujos conhecimentos levaram-no a importante planejamento pedagógico, com atividades prática, junto a elementos específicos, (tais como, dissecção de animais e estudo das plantas), que fundamentavam seus processos didáticos, pouco mais tarde.

Eurípedes esteve entregue à orientação sábia do Prof. Miranda até fins de 1901 (provavelmente), quando se dera o encerramento do ano letivo. Nessa ocasião, o diretor do Colégio convocou o Sr. Mogico a comparecer ao educandário. Fora informado de que deveria providenciar um Colégio para o filho, onde pudesse realizar um curso superior pois já se achava preparado.

Ao enfatizar as qualidades excepcionais de Eurípedes como aluno brilhante, o Prof. Miranda acentua: "Nada mais temos para ensinar a Eurípedes. Ele já aprendeu tudo o que nosso colégio pode oferecer.

No princípio do ano de 1902 o Pai de Eurípedes resolveu levá-lo para o Rio de Janeiro, com o duplo objetivo de encaminhá-lo no prosseguimento dos estudos e empenhar-se com amigos na obtenção de um emprego para Eurípedes. Conseguiram matricula no Curso Preparatório para a Escola de Medicina da Marinha. Após vinte dias de permanência no Rio de Janeiro, voltaram a Sacramento para os preparativos que se faziam necessários. Belos sonhos coroavam-lhe os nobres propósitos de aprendizado maior, tendo como objetivo maior curar a mãe.

A mãe auxiliava no que podia, costurando e organizando as roupas do filho. Às vésperas da saída do jovem, quando ela lhe arrumava a mala modesta, foi acometida por uma daquelas crises, que tanto preocupavam a família e , de modo particular, a Eurípedes. Sentira ele de pronto o motivo do sofrimento da mãe querida. Era a tristeza da separação. Quando Meca voltou às faculdades normais, encontrou a mala do filho desfeita. Eurípedes nunca mais tocara no assunto...

A trajetória do Professor Eurípedes

Liceu Sacramentano
A 31 de janeiro de 1902 fundava-se o Liceu Sacramentano. Eurípedes fora o abalizado construtor da iniciativa. Teve ele o cuidado de cercar-se de competente equipe de coadjutores, convidando o que havia de mais capacitado, na época, na cidade, para compor o quadro de sócios da nova entidade educacional.

Foram seus companheiros de magistério e de responsabilidade administrativas, os seguintes professores: Dr. João Gomes Vieira de Mello, José Martins Borges, Inácio Martins de Mello, Teófilo Vieira, Pe. Augusto da Rocha Maia, às vezes era substituído pelo Cônego Pedro Ludovico Santa Cruz.

O novo estabelecimento de ensino funcionou, no início, no antigo prédio do Cartório do 1° Ofício, de propriedade do Sr. Jovino Vieira Brigagão, na praça da Matriz, atual praça Getúlio Vargas. Pelas exigências da época, o prédio teve de ser adaptado, sendo este serviço financiado pelo Sr. José Monteiro da Silva Júnior (primeiro espírita de Sacramento), homem muito respeitado e querido por suas virtudes. Como quitação da dívida o Liceu daria 5 bolsas de estudos a alguns estudantes.


Eurípedes aos vinte e dois anos era um mestre abnegado, um inovador da arte de Educar e profundamente estimado pelos alunos e seus familiares. Fora um seguidor, talvez sem que desse por tal, de Platão, de Kant, de Spencer e de Pestalozzi. Os processos didáticos se inspiravam nas teorias desses luminares da Pedagogia.
Com Platão (fundador da Pedagogia) buscava o preparo físico dos educandos como um dos princípios ativos de saúde corporal, indispensável ao equilíbrio da mente.
Dava ele aos discípulos o exemplo de uma vida pura e de uma atividade incansável, em busca da perfeição, personificando os fundamentos de Kant, segundo os quais, a "Obra da educação é apontada como o desenvolvimento do indivíduo em toda perfeição de que é suscetível".

Na execução de todo o programa exigido pelo currículo, também o "Professor é um artista, acima de tudo, por que põe a Ciência em ação, movimentando princípios e leis naturais", conforme a conceituação pestalozziana. A arte adquire, assim, forma racional e compreensível. Transmitia elevado gosto pela Arte séria. Continuava a ver na expressão dramática um dos fatores sugestivos da moralização do meio, através dos processos psicológicos da imitação, que sempre levam o espectador à identificação com os personagens. A ciência é a teria e a Arte é a pratica.

De Spencer, Eurípedes tomara a aplicação consciente desta fórmula conceitual: "O fim da Educação é o preparo para a vida completa".


O modesto salário recebido por Eurípedes em seus serviços nas casas comerciais de pai, garantia-lhe a manutenção pessoal e permitia-lhe estender a recursos assistenciais, incluindo-se os relacionados com o magistério. Sempre reservara para os colaboradores toda renda auferida em taxas no registro financeiro do Liceu.


O jovem professor do Liceu Sacramentano, mesmo antes de conhecer as luzes do Espiritismo, já se agasalhava na fonte sublime do sentimento, guiando-se por elevada compreensão inata dos problemas do Espírito, que o haveria de inspirar na jornada norteadora, sempre leal ao ministério de Amor, que Jesus lhe confiou.
Com motivações de Eurípedes, os alunos, por sua vez, criaram um serviço de assistência, que teve longa duração.


Tratava-se da Sociedade dos Amiguinhos dos Pobres, que se destinava a promover leilões semanais com prendas doadas, cuja renda aplicava-se aos socorros mais urgentes a necessitados, tais sejam: assistência com gêneros alimentícios de primeira necessidade, agasalhos, enterros de indigentes.


O Liceu Sacramentano crescia no conceito geral e não tardou para que a fama do trabalho honesto e consciencioso, que ali se desenvolvia, a favor da educação, transpusesse as fronteiras de inúmeras cidades do Brasil Central, que enviavam seus filhos para estudar em Sacramento.


Depois de algum tempo, O Liceu transferira-se para nova sede. Dessa feita, ocupou um prédio no mesmo quarteirão da sede primitiva, na Praça da Matriz.
Prédio onde funcionou o Colégio N.S. do Patrocínio, e, mais tarde, a terceira e última sede do Liceu Sacramentano, na Avenida Municipal.
Em 1904, Eurípedes converte ao espiritismo. O setor educacional sofrera rude golpe. Os companheiros de magistério, no Liceu Sacramentano, abandonaram seus cargos. O mobiliário escolar fora retirado e o prédio, onde funcionava requerido por seus proprietários.

Eurípedes estava abatido, mas não desanimado. O testemunho reclamara-lhe determinação e pujança na fé nova. Ele passara anos felizes no Liceu, no desempenho consciente de sua querida carreira de professor. Os alunos por sua vez, não se conformavam à ideia de perder o mestre o amigo. A situação era desesperadora para a área educacional da cidade que, não contava com outro estabelecimento de ensino.


Eurípedes foi procurado por inúmeros pais, que lhe rogaram a continuidade das aulas.
Após um planejamento rápido, ficara assentado o aluguel de uma sala no antigo Colégio da Professora Ana Borges, fechado desde 1885. Ali, com mobiliário improvisado e sem conforto, Eurípedes prosseguiu no seu esforço magnífico, em prol da Educação.

No frontal da porta modesta, lia-se : Liceu Sacramentano. O currículo era o mesmo, mas com a debandada dos colegas, Eurípedes desdobrava-se para ministrar as aulas de todas as matérias programadas. E acrescentara, corajosamente, o ensino da Doutrina Espírita ao currículo, o que suscitara o descontentamento dos pais católicos.


A maioria levou a Eurípedes a ameaça de retirar os filhos do Liceu, caso mantivesse a decisão de lecionar Espiritismo.

_ "Que retirem os filhos, mas a finalidade salvadora do aprendizado espírita será mantida".


A resposta firme de Eurípedes não deixava margem a outras argumentações. Desse modo, grande número de alunos viram suas matrículas no Liceu canceladas por seus pais. Fato que atinge Eurípedes de maneira angustiante.

A inspiração

Maria, Serva do Senhor
Um dia, na solidão da sala de aula, sentiu-se abandonado. Pusera-se a chorar, no silêncio de ardorosa prece.

Sentiu insinuante vontade de escrever , enquanto todo o ser se lhe banhava em magnetismo suave, de fluidez radiosa desconhecida. Um nome de elevado destaque das esferas superiores impusera-se-lhe aos canais intuitivos. Ele reage. Não pode ser, não merece receber o beneplácito direto da Entidade anunciada.


Deixa o papel, julgando-se vítima de um embuste. Eis que uma força superior toma-lhe do braço e, mecanicamente, transmite pequena mensagem, mais ou menos nestes termos:


"Não feche as portas da escola. Apague da tabuleta a denominação Liceu Sacramentano, que é um resquício do orgulho humano. Em substituição coloque o nome: Colégio Allan Kardec. Ensine o Evangelho de meu filho às quartas-feiras e institua um curso de Astronomia. Acobertarei o Colégio sob o manto do meu Amor".
No final, firma o documento precioso: Maria, Serva do Senhor.


Eurípedes seguiu à risca as instruções espirituais de Maria Santíssima.


"Sabia que o momento era singular: implantar uma educação na base profunda do ser. Trabalhar com um raciocínio reflexivo onde a maiêutica maior era sem dúvida o amor. Amar para ser amado, dar para trocar.


E nesse afã de alegria e esperança vem Maria, Mãe Santíssima, a lhe dar o ânimo, abrir-lhe a esperança do trabalho que iniciava. Tudo tinha uma razão de ser, todo o trabalho merecia profunda seriedade. Não era apenas um Colégio a mais, era um marco a sinalizar almas, espíritos em evolução."

Colégio Allan Kardec

As matérias, conteúdos, cursos, teatro
Nasce o Colégio Allan Kardec. O fato se dera, exatamente a 31 de Janeiro de 1907, sob a égide da sublime Mãe de Jesus. Tem início para Sacramento a maior campanha educacional, conhecida até então.


Antigos alunos do Liceu Sacramentano reintegram-se ao novo educandário e mais de duas centenas de outros estudantes são encaminhados ao colégio. Tal cifra era muito avantajada para a época, guardadas naturalmente as proporções de relatividade, tendo em vista a densidade demográfica local, bastante reduzida.

Funcionavam três cursos no Colégio Allan Kardec: elementar, médio e superior. As diretrizes oficiais mantinham horários específicos para alunos do sexo masculino e feminino, mas Eurípedes criou em Sacramento o sistema de classes mistas.
Eurípedes tomara para si a incumbência da classe superior, lecionando as matérias do currículo com rara visão pedagógica. Era muito exigente na orientação dos aluno, embora ficasse comprovada sua psicologia da aprendizagem e avançada estruturação do planejamento consciente e adequado. Sumamente analítico exigia sempre o porque de tudo. Nunca deixava uma dúvida nos educandos, toda situação-problema era esmiuçada, examinada nos mínimos detalhes. A observação ao vivo das plantas era um dos pontos altos do processo didático.Os alunos estudavam com entusiasmo.


A nova linha pedagógica se tornava patente, sob muitos aspectos, em países europeus, como Suíça e França, através da Escola Ativa de Pestalozzi, proporcionava a Sacramento, pela visão extraordinária de Eurípedes, o enriquecimento do contingente didático- pedagógico. Numa época onde a palmatória era voz mais que ativa, no ambiente escolar, Eurípedes inaugurou a era do entendimento e o diálogo. O aluno passou a ser respeitado nos valores naturais de que era portador em potencial, pois o mestre conhecia-lhes as faculdades racionais, as percepções. Isso vinha estreitar o relacionamento professor/ aluno, criando entre eles laços de múltipla confiança.


As lições teóricas e práticas de astronomia eram ministradas aos discípulos em geral, em aulas coletivas.

As aulas de Evangelho eram consagradas nas quartas-feiras para todos os alunos e alguns visitantes. O início das aulas dava-se às 12 horas, prolongando até às 15 horas. Nos primeiros tempos era focalizado o estudo de um capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo, por aula.
Eurípedes incentivava sempre, por diferentes modos, os alunos, objetivando o maior nível de aproveitamento , no seu colégio. Estimulou o bom teatro, através da promoção periódica de festivais artísticos, que ficaram na lembrança dos alunos participantes e do povo da época. Era contrário à instituição de prêmios.


Eurípedes como educador conhecia a importância da natureza como instrumento sublime para o espírito na aquisição de valores. Em suas aulas levava os alunos para a junto da natureza, estimulava-os ao respeito pelas coisas divinas, as plantas, animais, o rio Borá, a beleza do firmamento, as estrelas, enfim suas aulas ensinavam o mandamento maior.

A estrutura física

No início (1907), o Colégio Allan Kardec funcionava na própria residência de Eurípedes. Localizada na Rua Principal (exatamente onde hoje é o Colégio Allan Kardec e o Lar de Eurípedes). A casa, era muito arejada, com vastos cômodos, bem distribuídos, com três quartos, duas salas e cozinha. Foi adquirida pelo Sr. Mogico do Dr. João Gomes Vieira de Mello (proprietário e ocupante da casa)e mais tarde transfere a Eurípedes por reduzido valor.

O sistema adotado de classes mistas trouxe algum descontentamento aos pais e para resolver a situação, o Sr. Cosme Martins de Oliveira com os colaboradores Angelino Pereira e Frederico Peiró iniciaram a reforma, providenciando a derrubada das paredes formando um salão mais amplo. A inauguração deste novo salão dera-se a 17 de agosto de 1910.


As matrículas avolumavam-se de ano para ano, até que as salas de aula tornaram-se pequenas para o grande número de estudantes, que buscavam o educandário. Em 1917, reuniram-se amigos de Eurípedes, liderados pelos Srs. Manoel Corrêa (casado com Edirith Irany), José Pereira de Almeida, Lindolfo Fernandes, Angelino Pereira de Almeida e outros, com um objetivo maior, promoveriam o planejamento esquemático para a construção de um prédio destinado ao funcionamento do CAK e do Grupo Espírita Esperança e Caridade. O primeiro passo, seria a encomenda de um projeto a profissional especializado, em São Paulo - o que , aliás, foi feito. Em seguida, movimentar-se-ia grande campanha para a aquisição dos indispensáveis recursos financeiros a serem empenhados na obra. A comissão organizadora do importante empreendimento distribuiu listas a numerosos amigos da causa espírita, na região e em outros pontos do país, com a necessária autorização para o trabalho de recolhimento de doações.
A tarefa da demolição da antiga sede do Colégio teve início, ao mesmo tempo, que se levantavam novas paredes e se construíam a pavimentação e a cobertura da parte iniciada. Essa providência permitia a continuidade das aulas.
A construção deste colégio começou em 1913 e só veio terminar 2 anos depois do seu desencarne.

"O projeto arquitetônico desta casa é diferente de toda a arquitetura da cidade, essa arquitetura Eurípedes teve uma visão de uma escola na cidade de Éfeso, no tempo do Cristo onde as pessoas cultas iam estudar, então esta construção tem a mesma estrutura onde Eurípedes trouxe a lembrança rascunhou para que fosse feito assim.
Algum tempo atrás , na reforma desta casa encontramos uma riqueza aqui dentro deste salão, em cima das janelas belíssimos arabescos grandes trabalhados a mão. Os mesmos arabescos que tem do lado de fora, mas como não tínhamos recurso para a restauração deixamos do mesmo jeito. Este salão era dividido para o curso primário, o médio e o superior. O curso primário era dado pela Dona Negrinha, uma senhora que trabalhou por muitos anos aqui. A educação física era dada debaixo das mangueiras." Palestra Alzira sobre o Colégio Allan Kardec em 27.03.2003

Elith, irmã e aluna de Eurípedes, evidencia ser ele "educador emérito, amigo de todas as horas, médium portador de impressionante potencial. Em plena aula, no Colégio Allan Kardec, desdobrava-se para atender a enfermos, que o chamavam pelo pensamento.

Quando voltava, expunha aos alunos os acontecimentos. No final do curso conseguira ganhar a confiança de Eurípedes, que lhe confiara as cadeiras de Álgebra e de História Natural para os alunos da 1ª classe.

Os Professores

Dentre os colaboradores de Eurípedes, citam-se: Watersides Willon, Homilton Wilson, Wenceslau Rodrigues Cilan, Zenon Borges, Orcalino de Oliveira, Maria Gonçalves, que regiam classes nos cursos elementar e médio. Wateville Wilman passou a colaborar no curso elementar do Colégio.

De 1918 a 1935

Com o desencarne de Eurípedes Barsanulpho, ocorrido em Primeiro de novembro de 1918, assume a direção do estabelecimento seu irmão e colaborador Prof. Watercides Willon, coadjuvado por Homilton Wilson, Wenceslau Rodrigues Cilau, Zenon Borges, Corina Novelino, Celina França, Eusápia Novelino.
Watersides Willon - Diretor de 1919 a 1935.
Assim, as atividades do Colégio Allan Kardec em nada se modificara, continuava a manter a mesma filosofia pedagógica imprimida por Eurípedes: continuaram os mesmos cursos, as mesmas atividades artísticas e mesma forma de realização dos exames finais.
Em 1934, em razão das profundas reformas educacionais, promovidas pelo Governo Federal, o Colégio já não oferecia mais condições de atender aos dispositivos da própria reforma, tendo inclusive perdido considerável número de alunos, para o Grupo Escolar Afonso Pena Jr., inaugurado em 1921, com modernas instalações para a época e com o advento de uma escola particular, que, coincidentemente, viria a se chamar Liceu Sacramentano.

Além disso, o Prof. Watercides já não tinha condições físicas para dirigir o Colégio, vitima de insidiosa moléstia que o abalara física e mentalmente. Desta forma, já em 1935, as portas do Colégio se fecharam.