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Herma de Eurípedes

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Herma de Eurípedes no pátio do Colégio Allan Kardec

Herma de Eurípedes

Inauguração: 1º de maio de 1929

Material: Bronze sobre pedestal de granito

Escultor: Professor Armando Zago (italiano, residente em São Paulo)

Localização: Jardins do Colégio Allan Kardec

Um monumento criado pela comunidade espírita para honrar a memória de Eurípedes Barsanulfo em seu 49º aniversário de nascimento, onze anos após sua desencarnação.


História da Construção

A iniciativa de erguer um monumento em homenagem a Eurípedes partiu do cirurgião-dentista Manoel Soares (1888-1937), que havia se radicado em Sacramento e participava ativamente do Grupo Espírita Esperança e Caridade desde meados da década de 1920.

Conforme relata Corina Novelino, Manoel Soares possuía "temperamento combativo e dinâmico" e "executou planos de valor no setor administrativo do Grupo Espírita Esperança e Caridade". Em 1927, ele "encabeçou o movimento que deu origem à herma de Eurípedes, nos jardins do Colégio Allan Kardec".

A construção levou dois anos, de 1927 a 1929, período em que o Colégio Allan Kardec ainda estava fechado (havia encerrado suas atividades em 1925 e só reabriria em 1935). Mesmo assim, os jardins da instituição foram escolhidos como local para a herma, reafirmando o vínculo indissolúvel entre Eurípedes e sua obra educacional.

A herma foi executada em bronze pelo renomado escultor italiano Professor Armando Zago, à época residente em São Paulo. O trabalho envolveu a criação de um modelo em gesso que serviu de base para a peça final em bronze, demonstrando o cuidado artístico dedicado ao monumento.


A Inauguração

A inauguração ocorreu em 1º de maio de 1929, data escolhida por ser o aniversário de nascimento de Eurípedes. O evento não foi apenas uma cerimônia isolada, mas o ápice da 1ª Semana Espírita de Sacramento - a primeira grande mobilização doutrinária pública da cidade após a desencarnação de Eurípedes.

Grupo reunido ao redor da herma de Eurípedes em fotografia histórica

Além da inauguração do monumento, a Semana Espírita incluiu "outras homenagens, sessões e conferências", promovendo o estudo e a divulgação da Doutrina Espírita. A programação representou a primeira grande celebração pública em homenagem ao educador e médium.

Significado histórico do evento:

Para Sacramento:

  • Reconhecimento oficial de Eurípedes como figura central da história local
  • Superação dos preconceitos que haviam levado ao processo criminal de 1917-1918
  • Afirmação pública da legitimidade do Espiritismo na cidade

Para o movimento espírita:

  • Consolidação de Eurípedes como uma das grandes figuras do Espiritismo brasileiro
  • Demonstração da força e organização do movimento espírita em Minas Gerais

Para a memória:

  • Início de um processo de preservação sistemática da memória de Eurípedes
  • Estabelecimento de um local físico de referência para sua obra

O Idealizador: Manoel Soares

Manoel Soares não apenas idealizou a herma, mas foi um dos principais dinamizadores do Grupo Espírita Esperança e Caridade na década de 1920. Ele atuou como médium psicofônico e receitista, e criou a Hora Espírita Jerônima Pereira de Almeida (em homenagem à mãe de Eurípedes).

Quando Manoel Soares desencarnou em 1937, transmitiu uma mensagem através de Chico Xavier, incluída no livro Enxugando Lágrimas, revelando sua profunda devoção pessoal a Eurípedes.


Legado

O monumento permanece até hoje nos jardins do Colégio Allan Kardec, tendo atravessado décadas de continuidade da obra de Eurípedes:

  • 1935: Reabertura do Colégio
  • 1952: Inauguração do Lar de Eurípedes
  • 1956: Primeira visita de Chico Xavier a Sacramento
  • 1979: Publicação do livro de Corina Novelino
  • 1980: Celebrações do Centenário de Eurípedes

A herma permanece como referência física da memória de Eurípedes, tendo se tornado parte da própria identidade histórica de Sacramento.

Herma de Eurípedes Barsanulfo no pátio do Colégio